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sábado, 7 de novembro de 2009


Eu vou falar de um cara, que não gosto muito do jeito que fala, e até andei enviando umas coisinhas meio "Vem, vem meu irmão. Só por que é playboy e filho do mario. Vem" Enfim coisa de escritor na berlinda, querendo o mundo por seu talento... Deixa. Falo de Antonio Prata. Tem trinta é dois anos escreve um blog no Estadão e com toda a certeza é um  cronista com uma pegada clássica mas com um humor gostoso contemporaneo. Não é nenhum Rubem Braga ou Millor Fernades, mas é um cronista com um molejo paulistano muito atual, e ainda sim conserva uma certa universalidade. Um cosmopolita que faz cronicas deliciosas, nem todas, veja bem. Deixo aqui o link para quem não conhece Antonio Prata        
       


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Muros Cinzas


A literatura deveria participar da sociedade como elemento intrínseco de formação cultural e discernimento do mundo. Se a literatura hoje substiutuísse o próprio Ensino Médio teríamos um país melhor, e mais, com pessoas menos banais e atentas a sua própria existência a de seu semelhante. Muitos professores são lentos, vaidosos e orgulhosos, e fazem disso seu pequeno reino na porca instituição de ensino brasileiro. Se um aluno surge com ideias peculiares à sua idade, no entanto, mesmo que possua um narrar que no mínimo deveria ser observado com curiosidade e zelo, esse aluno é advertido por narrar de maneira inapropriada. Uma inveja de"mestres" que na verdade são analfabetos funcionais protocolados, carimbados com um padrão de qualidade vencida. Naturalmente que estou me dirigindo a um grupo de parasitas no funcionalismo público e orgulhoso, que aos poucos, em diversos prédios de educação pública espalham o horror do ensino insosso, que mata sonhos, atrofia o cortex. Falo não de um cumprimento de regras mas de uma formação social mais instigante. Agora essa realidade de uma literatura presente nos lares e escolas parece dar um lampejo de esperança, mas a distância é ainda lamentavelmente enorme à realização.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O MERCADO DE TODOS OS DIAS



Acredito que o mundo da literatura sempre foi guiado pelo mercado. Um estudo do Franco Moretti professor de literatura comparada da Universidade Stanford - procura entender por que alguns exemplares do século 19 perduraram, ou seja tiveram sucesso por um período admirável, enquanto milhares de outros bons livros caíram no poço do esquecimento de prateleiras. Ele buscou os romances que venderam, qual eram suas características e dentro dessas qual prevalecia para que o livro sobrevivesse a outras tantas "mortes" efêmeras. Todas as características demonstravam uma fama sustentada pelo mercado. Os nomes se dão pelo que o público aceita, ou seja vender muito caracteriza promover um nome ao porvir, e mesmo enquanto vida do autor. O escritor que teve habilidade de manter qualidade e suprimir a demanda de seu público é o clássico que conhecemos hoje. Tudo que se figura como reprimido e seletivo morre, ou vive nessa sombra nilista em que muitos escritores se refugiam.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Uma Estranha no Nobel




Sim, uma estranha, para mim e para muitos. Eu apostei uma garrafa de vodka que dava Amós Oz, mas ainda sentia que chegava a vez talvez de Philiph Roth, contudo a romena radicada na Alemanha surpreendeu todos que aguardavam a máxima premiação da Literatura. Ela nasceu em Nytzkydorf, Romênia, e vive em Berlim desde 1987. Seu único livro publicado no Brasil é "O Compromisso". Eu confesso que nunca havia ouvido falar de Herta Muller de 56 anos, como outros intelectuais ligados a mídia eletrônica que ficaram boiando, mas alguns olham de lado, e fazem apenas do tipo de que não a lera tanto como a um Saramago. Sua escolha se deu pela força de sua poesia e sua prosa franca, ao retratar o meio dos desventurados. Gosto das surpresas da Academia Sueca, mas diga aí, você também não sabia, não é amigo leitor?



quarta-feira, 7 de outubro de 2009




Ao meio-dia da próxima quinta-feira será entregue o prêmio mor da literatura, o Nobel. Os prognósticos parecem dar a vitoria a Amós Oz, autor israelense, dentre outras, das obras Fima e O Mesmo Mar, essas obras que li. Ele que era muito cotado no ano passado e foi surpreendido com certeza pelo Jean Marie Gustave Le Clézio, escritor de uma vibração poética, de uma aventura sensual flutuante longe de nosso mundo atual. Mas dessa vez Amós deve ganhar, mas eu torço ainda por Philip Roth, embora pareça não ter grandes chances, acredito que ainda será dado a ele tal distinção um dia. Mas essa é de Amós

terça-feira, 29 de setembro de 2009



Lembro-me que estava na Bahia, o corpo e o cérebro quente, tomei uma caipirinha e segurei o volume de mais de 450 páginas, o título enorme parecia referir-se à guerra, um best-seller de guerra, mas um best-seller de guerra incomum. Joseph Heller foi um daqueles autores descobertos aos poucos, no bate boca - que ainda hoje supera os meios de internautas, o teclado a teclado, monitor a monitor, ou o que quer que seja - daí Joseph vendeu horrores em todo mundo, mais do que merecido. O livro é prazer e divertimento puro, e literatura bem feita, e todo leitor médio sabe o quanto é difícil unir todas essas qualidades. Tanto mais o fazer rir na literatura, sem ser sonso ou falso e fácil, ou clichê de stand-up, fazer rir com drama, é isso que Joseph Heller conseguiu. Ri muito, geralmente meio bêbado de sol e aquecido de álcool, a Bahia é um torpor, e ler Catch-22 lá foi axé puro, ave maria!  Yossarian preso na guerra por um ardil, o Ardil-22. A síntese do homem preso a deveres e desapropriado da liberdade, o homem louco e moderno. Nesses tempos de crise, recomendo que leiam Ardil-22, tomem caipirinha e vão a Bahia. Axé!

sábado, 26 de setembro de 2009

Irmãos de Sangue




       Os irmãos Sant'Anna tem em comum a atividade de escritor, e paremos por aí. Se começarmos pela casca, o corpo, massa não muito importante para escritores, veremos uma diferença que reflete no fazer literatura de cada um. Ivan Sant'Anna é robusto, alto, muito semelhante ao seu perfil best-sellers de grossos volumes. Já Sérgio Sant'Anna é muito menor e não tem como por nele uma cara senão de escritor carioca. Lembre que estávamos falando do corpo.

         A alma eu conheço a de Sergio, já que não dá pra sentir a alma nos autores de histórias tipo Sidney Sheldon. Tem estilo, trama, um jeitão de dono do mundo mas a alma só vemos em autores que adejam, meio putos e bêbados, verdadeiros artistas do caos. O incrível é que os dois são bons no que fazem. Sergio Sant'Anna é o escritor como conhecemos, e Ivan é o escritor que os americanos conhecem. E ele bem que tentou ser suceso lá, digo, grande sucesso, mas o editor o disse que só faltou um detalhe, ser americano...
Ivan entrou na literatura Sérgio sentiu-a crescer com ele próprio. Um era homem da Bolsa de Valores, outro advogado ruim, como todo bom escritor é, vivendo entre a malandragem do bairro Vila Nova, isso na década de 70, e daí podemos tirar uma idéia de suas nuances. 


A introspecção de Sérgio é oposto da exposição do irmão Ivan, e talvez os dois só tenham sido parceiros em distantes anos na Inglaterra, quando por lá estudavam e descobriram que juntos eram uma dupla imbatível no futebol. Já na literatura cada qual segue seu rumo distinto, mas estradas que pertencem ao mesmo Estado o da conturbada literatura.