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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pugilato

Flap!
Flip!
Flap!
Flip!
...
umdoistrêsquatro
cincoseisseteoito
noveedez!
...

A literatura venceu por nocaute!
(Mas o povo continuou povo e quis ver algo como Ivete no Maraca.)


quarta-feira, 30 de julho de 2008

Os escritores de merda deveriam ter tal cheiro em seus livros.
Assim os leitores saberiam, antecipadamente, vendo as moscas
voando sobre o volume, o que deveriam evitar.
Com exceção dos coprófagos que correm atrás de merda ávidos
pelo odor de caracteres sobre o deperdício inútil de árvore.



domingo, 20 de julho de 2008

Sou bonito
Sou feio
Depende muito
Do espelho

Sou bom
Mau escritor
Depende muito
Do leitor


sábado, 19 de julho de 2008

O grande em mim


Eu sou a força desse sofrimento

Eu sou o muito em quase nada

Meu vôo distrai deuses distraídos

Sou um rumo desarrumado

A simplicidade elevada

O atemporal do nunca

Disfarça minha presença

Me faz eterno, estranhamente difícil.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Quem descobriu o Brasil?




- Papai, quem descobriu o Brasil?


O pai fez uma careta porque não sabia mentir.


- Ninguém sabe ao certo, filho.


O menino fez outra careta.


- Mas papai todo mundo sabe que foi o Cabral!


O pai fechou o facho e se dirigiu para o menino:


- Filho, eu sei que gosta dos portugueses, mas quem descobriu o Brasil foram os espanhóis.


O menino olhou pro pai e o achou maluco.


- Mas todo mundo fala português aqui, Pai.


- Sim, porque aquela raça de merda foi a única a querer alguma coisa daqui.


- E o que eles quiseram , pai?


- O pau do Brasil. É, os portugueses levaram muito pau do Brasil. Mas tudo tem seu preço e muitos deles foram comidos.


- Comidos, Pai?!


- Sim, levaram pau e depois foram comidos e depois comeram também.


Ah, ah ah...ai...ai...


- Ô, Antônio, o que tá dizendo pro menino, ô xarope.


- É história. Esse menino quer saber de tudo, pergunta pra Deus rapaz.


- Ô Antônio!


- É o Google, vai lá que ele responde tudinho.


- E o que eu digito, Pai?


- O quê? O que quer saber?


- Quem descobriu o Brasil.


- E você não sabe?Pedro Álvares Cabral.


- Mas o senhor disse...


- Ah, mas isso é o que aconteceu há muito tempo, se você colocar no trabalhinho a anta da professora te dá pau.


- Para de falar de pau, Antônio!


- Eu estava falando de pau brasil aquela hora, e de antropofagia e de... ah, deixa quieto.


O menino encolheu os bracinhos e se retirou como um índiozinho.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O Gigante da Rússia



Em junho de 1812 a Rússia é invadida pelas tropas napoleônicas, e se rende a elas depois de sangrenta e aterrorizante batalha. Depois de pouco mais um mês o Grande Exército de Napoleão se retira. Moscou está praticamente deserta e arruínada. No encalço das tropas invasoras segue um exército russo recomposto e organizado e sedento por vingança. Batalhas intensas são vividas na Alemanha. A perseguição segue até Paris, com as forças napoleônicas enfraquecidas, em março de 1814 os russos vencem e Alexandre I entra na cidade triunfalmente.
A Rússia a seguir não é próspera e sim corrupta. Ocorrem diversos movimentos revolucionários por todo país. Nessa Rússia conturbada e instável nasce, na cidade de Moscou, em outubro do ano 1821 Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski.
Cresce em meio a pobreza e presença comum de pessoas doentes. Seu pai é um homem amargo que trabalha em sanatório para pobres em Moscou. Imagine um sanatório para pobres naquela época! Esse pai é um médico e um homem raivoso. O tratamento dele é o pior possível. Dostoiévski amarga essa presença déspota de um pai incontrolável e raivoso. Seu mártirio é tão grande que alimenta um sonho, que o pai morra. Mas a desventura desde o início está ao lado de Dostoiévski, como se algo antagonista quisesse sugar todo o sofrimento em troca daquilo que o mestre recebera de Deus, quem morre primeiramente é sua mãe, Maria Fiódorovna Nietcháieva.
Com a morte da mãe o pai decide se ver livre do filho e o manda para uma escola militar de engenharia, em São Petersburgo. Estranhamente é entre cálculos matemáticos que Dostoiévski encontra-se com literatura e se encanta, O Despertar! Daí em diante lê tudo, Schiller, Dickens, George Sand e Balzac.
Mas quando o pai morre assassinado, em 1839 a consciência do jovem Dostoiévski deve ter pesado seguramente. A partir desse momento rebate esse sentimento com a pena da criação e começa a escrever: Bóris Godunov e Maria Stuart, seguindo a moda romântica e refletindo o problema com o pai, mas o jovem escritor, de agora vinte anos, desiste de ambas as obras.
Em 1843 termina os estudos e serve como alferes na seção de Engenharia de São Petersburgo. Nesse mesmo período traduz um livro que particularmente adoro, Eugenia Grandet, de Balzac, e a peça Dom Carlos, de Schiller. No ano seguinte esboça uma novela que descreve o ambiente medíocre em que vive, o que estará em toda sua obra madura no porvir, a novela tem o título emblemático Pobre Gente, e transforma-se num grande sucesso o que o faz escrever mais e com maior ambição. Mas a alegria do sucesso de seu primeiro livro tem que dividir espaço com o sofrimento de diversas crises de epilepsia. Já no ano seguinte, publica sua segunda obra O Duplo, diferente do primeiro, O Duplo, é esquecido absolutamente pelo público.
Nos meses seguintes autoridades literárias afirmam que não é um talento literário como imaginaram. Seu prestígio declina. Como muitos bons escritores Dostoiévski convive com dúvidas, reflete se é aquilo que sentiu ser. A inseguridade vem de fora para dentro, mas Dostoiévski é bastante jovem e sabe que muito há a se escrever, mesmo que não tenha tanta segurança se o deve fazê-lo.
Em 1847 passa a frequentar um grupo soicialista e revolucionário, mas em seu Os Possessos denuncia o clima de descompromisso e violência vigente entre os revolucionários.
No entanto, antes de romper com o grupo seu comprometimento já é público e notório. Não escapa da prisão, e é condenado a morte por fuzilamento.
O incrível é que Deus está para as horas fatais para ajudar os grandes escritores, e já no patíbulo um toque de clarim interrompe a execução. O auditor imperial anuncia que Nicolau I mudara de idéia e que a pena de morte fora comutada em prisão perpétua com trabalhos forçados na Sibéria.
Na prisão insalubre Dostoiévski convive com ladrões, toda a laia de criminosos e prostitutas, enfim a escória Russa, no entanto em seu livro Recordações da Casa dos Mortos, ele registra: " Posso testemunhar que no ambiente mais ignorante e mesquinho encontrei sinais incontestáveis de uma espiritualidade extremamente viva" Passa terríveis cinco longos anos de trabalho forçado, até ser incorporado a uma guarnição siberiana na posição de soldado raso. Nessa solidão gélida encontra um pouco de calor numa paixão inesperada, o entrave dessa afeição é porque a mulher é casada. E um dia suas eperanças de um romance com ela parecem se acabar, quando a moça se muda para outra cidadde. Mas ao final de alguns meses a mulher torna-se viúva e assim o escritor pode se aproximar e por fim, depois de tanto tempo, sentir algo que o possa reconfortar no mundo vazio que está condenado a viver. O casamento não demora a acontecer. E a partir de 1857 Dostoiévski torna-se um homem casado e goza um pouco da felicidade do matrimônio.
Mas a felicidade é efêmera, enquanto os problemas de Dostoiévski se agravam principalmente as crises de epilepsia, e acima de tudo o seu desgosto pela vida que tem. Então procura se abrasar em sua arte, é e nesse ponto em que acredito que os escritores de verdade se revelam, quando tudo parece desfavorável. Escreve então o romance, Recordações da
Casa dos Mortos.
Nesse mesmo período espera ansiosamente o direito de voltar para São Petersburgo. O czar AlexandreII atende o seu pedido, e em 1859 o escritor volta à cidade pobre e desconhecido de todos.
Após de dois anos entre trancos e barrancos funda, junto ao irmão Mikhail, um periódico, O Tempo. No mesmo ano lança Recordações das Casa dos Mortos o que o traz novamente reconhecimento. Mas suas finanças continuam péssimas, e todo o dinheiro que ganha investe no jornal e na saúde frágil da mulher. Logo contrai empréstimos, joga e perde, acumula dívidas, e ameaçado por credores, deixa a mulher desventurada e foge para o exterior. Com recursos obtidos na Caixa de Socorros a Escritores Necessitados, veja só, tal instituição naquela época! Quem dera escritores brasileiros tivessem aonde recorrer no aperto... Enfim ele viaja por Alemanha, Itália , Suíça, França e Inglaterra, levando sob suas barbas a irrequieta e jovem estudante, aspirante a romancista, Polina Súslova, que posteriomente seria a musa inspiradora das personagens de O Jogador, O Idiota e Os Irmãos Karamázovi. Mas o grande escritor é péssimo com dinhro, e no jogo é um perdedor irrecuperável. Tudo que tem é gasto como também a penhora dos pertences da jovem Polina
De volta a Petersburgo encontra Maria morrendo e o jornal fechado por ordem do governo. Mas em 1864 consegue fundar um outro, A Época. Nesse mesmo ano morrem sua esposa e o irmão Mikhail, ficando sobre sua responsabilidade manter a cunhada viúva e seus filhos pequenos. Nesse período de angústia Dostoiévski recorre novamente a arte de escrever, e começa a redação de Memórias do Subterrâneo, obra que demonstra o amuderecimento literário, o estilo encontrado e o arrojo criativo.
Embora tenha encontrado a maneira de escrever que levaria o seu nome a imortalidade, Dostoiévski estava infeliz e solitário. Polina recusa seu pedido de casamento, enquanto ele se afunda em suas vulgares dívidas de jogo.
Mas alguém aparece em sua vida e enfim ele parece amar verdadeiramente e sentir-se feliz ao lado de alguém. A moça é Ana Grigórievana de 21 anos, uma estenógrafa que contratara para ajudá-lo na conclusão do manuscrito Crime e Castigo. Em 1867, aos 46 anos casa-se com ela. Meses depois sua dívida nos jogos ultrapassam um nível de segurança e ele novamente foge de seus credores, emigrando para Europa Ocidental. Um adiantamento do seu editor permite-lhe se estabelecer em Genebra. Mas o vício está nele e mais uma vez perde tudo, empenhando e depois tornando a não ter nada. Seu infortúnio parece não ter fim, sua filhinha , com três messe de idade morre, sua condição finaceira é lamentável e ele sofre da culpa de ser um homem sem controle.
Deixa Genebra e vagueia pela Itália. Tem a ajuda dos amigos e do editor que ainda lucra com seu nome e o manda algo para que possa manter-se vivo. Diante de sua situação delicada volta a escrever, incessantemente, para diversos periódicos e encomendas que acha detestáveis. O nascimento da filha 1869 o traz um pouco de alegria . Com uma animosidade renovada voltam á Rússia no de 1871, ano que publica OS Possessos.
Em 1874 publica O adolescente e Diário de um Escritor, e em 1880 o incrível Irmãos Karamázovi. Torna-se o Escritor da Rússia, o melhor e mais profundo redator do ambiente do seu país e da alma dos pobres conterrâneos seus.
O mestre tem enfim o reconhecimento merecido e a felicidade como homem que nunca parecera poder encontrar em sua vida sofrida e conturbada.
Num dia nevado, olhando a luz fria reverberando em montículos de neve nos vitrais o Gigante Russo fecha os olhos, enquanto o sangue esvai dentro de si. Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski morre.
Depois de uma vida tão difícil devemos desejar que descanse em paz, esse ser-escritor que
jamais abandonou seu ofício. Vendo tal trajetória perguntamos, nós escritores e amantes da literatura, " Até que ponto somos escritores e amamos isso de fato?"



quarta-feira, 2 de julho de 2008

Mercado Editorial - Mundo Misterioso

O mercado editorial brasileiro tem se esforçado para ignorar seus conterrâneos e operários desse ofício descaracterizado. Escrever no Brasil parece ser tarefa de burgueses privilegiados em apartamentos na Avenida Atlântica, sendo que a democracia da arte abrange qualquer ser capacitado em ver, sentir e criar uma idéia daquilo que se move e acontece, ou aconteceu. Mas é preciso naturalmente filtrar os resíduos impuros, mas não se criar uma idéia e logo uma gestão de indiferença e descaso para a nova safra de autores. O momento, não resta dúvidas, é crítico para os escritores desconhecidos.

Desde o advento da palavra blog e de sua adaptação em modelo simples, sem precisar de conhecimento na linguagem HTML, pessoas que estavam quietinhas escrevendo suas tolices descartáveis viram à sua frente, piscando como o farol da terra prometida, o dever e direito de serem escritores universais... Logo muito papel picado se exibiu como obra digna de fato. E com a expansão do parque gráfico houve outro estalar, agora capitalista e empreendedor, surgiram as editoras pequeninas publicando qualquer amontoado de caracteres, a produção independente trouxe outros autores que usaram blogs para se promoverem, e todos esses mandavam ainda seus originais as editoras que os desprezavam.
O que tinha uma certa pureza foi transformado em mero produto de risco, e forjado e reinventado à maneira das gandaias da pós-modernidade. Uns dizem que o mercado se abrirá. Outros dizem que não há esperança e será preciso esperar por milagre, que todos que estão ai precisam morrer para a nova safra engrenar.
Há uma certa sensação de conformismo ao olharmos tantos concursos e ver que os vencedores parecem cartinhas marcadas, figuras que estavam esperando no corredor turbulento do marketing. A pureza do autor se esgota, a pureza na qual tira o fruto de sua criação e que sem ela não haveria editores, e nem leitores e nem prédios e nem prêmios! Sem a essência artística não haveria o sorriso dos magnatas desse mercado míope. Fico imaginando se eles riem do alto de suas cadeiras, sabendo de toda verdade e admirando-se que haja pessoas que amem fazer algo sem saber ao certo se valerá 1 real ou 2 ou nada.

O autor como todos sabem recebe de 8% a 10% do valor de capa, se considerarmos que seu livro saia a 25 reais... puxa, 2.50! Isso é uma margem que deixa claro que o mercado é industrial e o autor é produto, e sobre a prateleira o que vai contar seu romancizinho urbano concorrendo com Daniele Steel, reedições que leitores analfabeto amam: Sidney Sheldon, Agatha, sem falar da Auto Ajuda sacana, dislógica, filha da puta! O Segredo, que coisa mais débil, mas será mesmo? E fico pensando em autores medíocres, fazendo a lei da atração, em casa, envolto de best-sellers. " Eu vou vender como Paulo é só mentalizar, mentalizar... E quem pode duvidar que Paulo Coelho não é bruxo, é o maior bruxo depois de Harry Potter, porque como poderia vender 74 milhões de exemplares! Mas não gosto destes intelectualóides que dizem que não queriam ser de modo algum Paulo Coelho, será? Voltando ao raciocínio esses 10% é fantástico para um best-seller. Voltando ao nosso exemplo nacional o mago recebeu quanto? faça as contas: 74 milhões de exemplares, digamos a 25 cada um: 2.50 x 74... Meu Deus! 185 milhões... Dá pra comprar quantas editoras com isso? Mas para aqueles que ficam nos desvãos das prateleiras, esmagado por livros grossos e milionários, essa porcentagem é de chorar.
Estou falando de livros publicados que estão a espera de serem lidos ou ao menos comprados, porque acho que o autor deve pensar em vender, a publicação acontece de uma maneira ou outra, agora que adianta ficar cego nela se o resultado que interressa é a venda. O autor não pode se dar ao luxo de esperar o marketing da editora é preciso usar a criatividade agora como empreendedor, fazer qualquer maluquice, como se expor de graça em blogs, que, embora muitos ineptos vêem com maus olhos, é uma ferramenta fantástica de divulgação e contato.
Agora, os autores que estão chegando via correio até as editoras, pode ter certeza que há sim pessoas que vão ler, senão inteiro, fragmentos do seu livro. Desse modo, é preciso bem e não qualquer coisa, é preciso fazer o melhor que pode, e se perceber que o seu melhor é mesmo medíocre desista logo, vá procurar outra sarna pra se coçar. Uma coisa que me deixa puto são "escritores" que dizem: "escrevo para passar o tempo", experimente não escrever e ele vai passar muito melhor para todos. "Não tenho pretensão de ser escritor, escrevo para meus familiares lerem e pessoas do trabalho, ´e para alimentar a alma." Pois bem, então deixe esse encantamento guardadinho e mostre aos mais íntimos, porque quando o manda para as editoras, com a sua modéstia, você abarrota, você prejudica escritores que não escrevem por escrever, escrevem porque buscam mercado e querem serem lidos, pagos, comentados... Entende, vá pentear macaco, empinar uma pipa, daquele modelo afegão, vai se divertir com os videos do You Tube, só deixe editoras livre de sua despretensão, esse texto ataroucado que tanto deve deprimir os avaliadores, e dai uma obra merecedora pode passar desapercebida depois que todos na sala perderem o discernimento no porre do lixo impresso que teem que ler todos os dias.
Mas a esperança é escrever bem, escritores guerreiros, temos recursos demais, que os mestres antigos não tinham. Quando pensar que está difícil, pense em Dostoiévski escrevendo no frio da Sibéria, lembre-se de nossos poetas turberculosos, lembre-se dos escritores marginais e pergunte-se se o que tem ai é só uma carência qualquer ou é verdadeiramente um espírito de escritor. E se pensar em números, lembre, Paulo Coelho fez uma co-produção de dois mil exemplares um dia, mas o cara tem um diferencial... o cara é bruxo meu!