sexta-feira, 22 de agosto de 2008
PEÕES
Eu não quero escutar as vozes de novos Rosas murchos. Tampouco vir a esperar coisas novas de paródias Claricianas. Nos fins de tempos e começo de toda exposição da raça humana. O tempo da grande verdade. Símios, contemplando a mistura de deuses e macacos, então o que mais importa é contar, explorar o conto usando a narrativa mais espontânea, a que flui com a naturalidade de um organismo. Contar sem contorcionismos e sem ser pernóstico ao tentar enfiar entretenimento com sabores artificiais de filosofia e metafísica. Contar apenas como o começo da idéia do mundo, com o deslumbramento dos primatas ao ver o fogo, mas sem o intuito de levar o leitor a um lugar específico que já não há. Deixar ir sem querer voltar. Abrir um espaço entre as nuvens e ainda encantar um ser sozinho que sabe que Deus está morto em nosso século! É trabalho árduo quando o mundo perde a capacidade de ser ingênuo, de ser sonhador, quando as pessoas perdem a calma de encontrarem-se consigo mesmas, onde o intrínseco se apaga. É preciso contar com a maneira que tem, como o aceno de alguém é só dele, o passo é só dele, o sentar é só dele, não há assim, como tudo, uma outra maneira de ser aquilo que é de outro. É tão grosseiro imitar escritores como vestir-se de Elvis e dizer-se tal. Rosas murchas, Clarices tatuadas, desistam de ser o que já é, há outras mesas ao redor para se sentarem, são escassas, mas há sim. Nessa era de fragmentismo o que devemos aprender, antes de tudo, é como negar e não ver. E depois rebelar-se como disse Camus, aquilo que devemos aprender para sermos vivos de fato.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Alguém ali
Tinha os olhos de Cecília
As mãos quietas de Drummond
A sensualidade praieira de Vinicius
Mas numa tristeza silente de Rimbaud.
Tinha a quietude severa de Clarice
A cor do céu nos cabelos negros
No ombros balançantes de Woolf.
Havia o passo de Karênina
Repleta de maciez entre as pernas.
Tinha o sangue escondido atrás da pele
Molemolente de uma deusa de Brecherett.
Tinha um pescoço de atrair Drácula
Uma silhueta esmerada, curvosa
De aguentar o cetro de um rei louco.
Tinha um ar para o fim do dia
Um olhar dos jovens tuberculosos
Que tão lindos morreram de amor
E era apenas um torpor do tédio, sabemos agora.
Tinha tudo ao vê-la assim
Mas foi numa tarde entre gente real
Meu corpo real, meu celular, minha ocupação
Foi lindo mas durou apenas o quanto suportei
Depois decidi morrer por não ser um encantado 24hs.
As mãos quietas de Drummond
A sensualidade praieira de Vinicius
Mas numa tristeza silente de Rimbaud.
Tinha a quietude severa de Clarice
A cor do céu nos cabelos negros
No ombros balançantes de Woolf.
Havia o passo de Karênina
Repleta de maciez entre as pernas.
Tinha o sangue escondido atrás da pele
Molemolente de uma deusa de Brecherett.
Tinha um pescoço de atrair Drácula
Uma silhueta esmerada, curvosa
De aguentar o cetro de um rei louco.
Tinha um ar para o fim do dia
Um olhar dos jovens tuberculosos
Que tão lindos morreram de amor
E era apenas um torpor do tédio, sabemos agora.
Tinha tudo ao vê-la assim
Mas foi numa tarde entre gente real
Meu corpo real, meu celular, minha ocupação
Foi lindo mas durou apenas o quanto suportei
Depois decidi morrer por não ser um encantado 24hs.
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