gabo

Loading...

sábado, 27 de setembro de 2008

Para um dia de frio

Para esses dias gelados, de céu de massa cinzenta e ventos frios, recomendo agasalharem-se com "O Capote" de Nicolai Gogol. Sempre que leio esse conto tenho vontade de tomar conhaque e dormir num divã puído, coberto por um cobertor velho também. A sensação de conhecer o autor é sempre mais forte a cada releitura, sempre deliciosa na sensação de um passado que podemos sentir quase que fisicamente. Gogol é um escritor carismático, que não perde sua força de humor e sua genialidade simples. Como Dostoiévski mesmo disse muitos escritores devem a ele. Saravá meu bom camarada Nicolai Gogol, isso sim é imortalidade. Saúde!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cidades dos Mortos


Há uma legião de fantasmas pobres que zanzam alienados nas alamedas arborizadas na maior parte por eucaliptos esguios.Quantas vezes dentro da noite, pixels negros delineandoa forma de dois artistas e de duas crianças!Acordes sutis no âmago frio e soturno do madrugar.Lá está o cemitério enorme sobre nossa cabeças.Centenas de milhares de corpos falidos e almas sem rumo observando o mundo em suas fotos esquecidas, mas só os pés bêbados fazem as folhas partirem dentro de seus bosques silenciosos no negrume.Mais de um milhão de histórias fagulham na secreta hora quando os vivos não observam mais.Eu moro a poucos metros desse cemitério, que para mim é o maior do mundo.Uma cidade de mortos. Um passeio por ele o faz carregar um bocado de história um bocado de dor, de esquecimento. Quando se sai dessa cidade se tem a idéia de que também possui um pouco de experiência de morto.Procurei o meu bairro no Google Earth e me deparei com a imagem desse cemitério: Imenso, com diversos retângulos como um campo de plantação.Os fundos da cidade dos mortos se espraia jogando alguns mortosque provavelmente foram esquecidos na vida como na morte,perdendo a divisão de lotes, vai se deixando cruzes até o campoescapar para as ruas do bairro da Vila Formosa. Sem muro algum, a jurisprudência dos mortos dilui-se ao ritmo dos vivos que já esqueceram que morrer não é ficcional.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Cabeça de papel picado MM

Paulo Francis tentou algo no seu cabeça de papel o que conseguiu foi ser complicado, e ainda por cima gostar de não se comunicar. Agora me aparece um cabeça de papel picado, um mané-coco, que tomou ares de mandachuva, e o pior, acreditaram nele. É, editores e depois os leitores, esses sem tanta culpa, pobrezinhos que são. Diante disso não sei se me alargo em esperança ou largo tudo, vou por aí como um Raskólnikov curado. Porque me dá medo e coragem ver que figuras assim se sobressaem galgando no panteão dos dissimulados, e recebem a glória, o reconhecimento de gente que parecera séria. Mas ele está certo, quem grita mais ganha, é como na bolsa de valores, todos aqueles primatas lutando por um cantinho de Sol, é igual. Ele percebeu algo assim, viu que não era um ser divino, colocado aqui por idealização divina, sabia que seu destino não estava tramado há uma porrada de tempo, não, ele soube usar a sua condição de macaco bípede, e passou a esbravejar. Marketing! E quem não o tiver está fodido. O dele é falar o máximo de merda possível, criar texto com a displicência de um adolescente. Falar de sexo como se houvesse algo de novo nisso. Sexo, meu amigo cabeça de papel picado, é bom pra fazer, e talvez você não faça, daí suas arrancadas na pista da ficção. Talvez tenha fimose, senão no pau, certeza é que tem na sua literatura pobre, como a presunção destes comerciantes burros de clásse média. E daria um ótimo dono de padaria mesmo.
Diz merecer o Nobel. Diz que Saramago é oceanicamente menor que ele... E fico pensando se seus grunhidos, se sua ranzinza, não dará um dia lá, no Nobel... Quem sabe ele de repente houvesse descoberto que é assim que se faz sucesso, com simples barulho, pouco conteúdo, muito sexo falso e presunção, presunção, presunção...
A única coisa que gostei foi quando disse de sua geração de merda, arrasou todo mundo. Só se esqueceu de se incluir, com toda a certeza não foi a maça boa que rolou para longe das outras tantas podres. Acredito que não vá durar, nesse último livro mostra o quanto se esforça para não disputar com uma Clarah Averbuck da vida.
Agora, se essa for a nova literatura, se isso for um dos nomes da nova era, aí sim é bom que a literatura descanse em seu passado e cruze as mãos sobre a humanidade.




quinta-feira, 4 de setembro de 2008

AENE começa a toda

A minha agência (pra quem não sabe veja o post abaixo), mal nasceu e já obteve uma dose de animosidade. Dois pedidos. O primeiro de uma jovem carioca que diz sonhar em ser escritora, embora sofra de uma agnosia, não consegue identificar a utilidade do livro, e quando mostrei o poder do objeto ficou deslumbrada. Jura que aprenderá ler aqueles trocinhos, que achou o máximo a maneira que são chamados: caracteres... Sua curiosidade veio à partir do primeiro livro que pegou na mão, de autoria de algum escritor interno que comeu a suposta autora, uma biografia vaginal, oral e anal. O livro é : esqueci. Mas é de uma putinha chamada Bruna Surfistinha. Minha cliente se encantou quando a amiga leu para ela a história, e decidiu que mudaria de vida também, tornaria-se escritora. Quando entrou com um vestido moderníssimo, salto agulha, costa, bunda, tudo caminhando numa evolução de deixar boquiaberto qualquer carnavalesco, todo mundo ali, na editora, sabia que aquilo daria uma ótima escritora. O editor disse que sim, porque em nossos dias práticos e imediatos tudo era possível, ainda mais com tanto escritor fodido por aí. Foi aí que ela me encontrou. Logo foi sugerindo um nome, Ana Punhetinha, o que eu achei um tanto quanto vulgar, e agora penso num pseudônimo à altura.
Acredito que vai arrebentar de vender, ainda mais com uma raça de filhas-da-puta que temos nesse país, que quando não estão batendo uma, estão pedindo algo pra Deus. Sexo e Deus, um negócio de Lúcifer!
Pois bem, o segundo é um vereador de Pau Torto, no Sergipe, que diz querer ser o autor da biografia do Sadam. Disse-me em poucos palavras que quer conteúdo forte, até com o barulho do pescoço quebrando no fim fatídico do tirano. Disse que uma onomátopeia bem empregada seria suficiente. Ele afirmou que não conhecia a espécie de cobra.
Já é um começo.
Mas melhor seria se algo acontecesse como nos velhos tempos. Camarada chamava camarada e os dois escreviam num jornal. Tô precisando de um camarada desses. Às vezes parece que não há mais camaradas e quanto mais inacessível a camaradagem , menos se torna possível surgir um bom crítico, cronista, o texto se torna cada vez menos importante. A tanta gratuidade da internet fez camaradas não saberem identificar outros. Na democrácia é preciso moderação, senão os canais transbordam, e não se distingue nada.


terça-feira, 2 de setembro de 2008

AENE

Quero dizer uma coisa, na verdade escrever uma coisa muito séria, é bom mesmo que se ponha um superlativo aí: seríssima. Tô precisando de dinheiro. Certo? Tudo bem o negócio funciona ou funcionará caso dêem atenção e depois acione a central... Cala boca! Trava os dedos!
Vai lá. Lembram da Cunha e Costa Agência Cultural? Claro... Não! Criada pelo sacana do Álvaro Cunha que explorava o talento do José Costa no livro do Chico, Budapeste. Lembraram? Ok, estou fazendo o mesmo. Escrevo qualquer coisa para ágrafos, alarifes, pseudos, jornalistas com diploma que sorvem sopa de letrinhas. .. Acho que o negócio dá futuro, num país que o presidente é um gougre da linguagem. Já faço lances livres por aí, encaro até monografia, criminoso! Mas eu quero é gente que precisa mostrar a cara com a impressão das palavras entre os dentes. Artigos, crônicas, discursos, romances, biografias apimentadas. Tudo, a Agência do Escritor que Não Escreve, fará. Os preços serão justos, nada comparado à satisfação de quem poderá ser aquilo que não é, mas logo será com a aquisição de um texto de grande eloquência. A AENE irá se esforçar, se revirar para sempre atingir o objetivo que adeja na cabeça dos seus clientes, mas não escapa por seus dedos.
PS
Isso é sério, seríssimo, aliás.
Estamos esperando você, seja você quem for!