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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Amor Incondicional


Bem, eu sei que agora não tem jeito, esse tipo de paixão não é temporal, nem tampouco sazonal, embora os livros do verão devem ser diferentes dos livros de inverno. Por exemplo quase tudo russo incita-se no frio, não é nenhum mistério. Já brasileiríssimos como Amado e João Ubaldo pertencem ao calor. O outono pertence a a Clarice Lispector, Truman Capote, Albert Camus. A primavera é para o novo, o que surge, desabrocha. Essa diversidade de nomes é mais ou menos a maneira que leio, diferentes vozes, estilos, Clarice Lispector disse que foi assim sua formação. Soube essa semana. Eu comecei com belos almanaques ilustrados de Asterix e Obelix. Depois Daniel Defoe e quis desde então ir para uma ilha, mas quando soube que todas eram habitadas, ou monitoradas por satélites achei o mundo egoísta. Li Machado e quase tive uma ereção pela deliciosa adúltera Capitu, um leitor Onanista que também folheava catálogos da Demillus. Muito bom. Depois conheci Raskólnikov do mestre Dostoiévski. E assim foi até a Metamorfose de Kafka, nunca mais matei um inseto. Amei o livro e toda essa gente que conheço melhor que todas as outras de carne à minha volta. E agora dizem que o livro acabará, dá um vazio, mas no fundo a gente sabe que não tem como acontecer, ou tem? Sim, há e se for para ser será e nos acostumaremos, embora com uma perda significativa de espírito viveremos de qualquer maneira, como as baratas fazem a milhões de anos.



sábado, 25 de outubro de 2008

Um dia o Nobel!



Como todo mundo já sabe, o francês, Jean Marie Gustave Le Clézio, nascido em Nice, França, foi engrandecido com o Nobel 2008. Ele que nasceu em 1940 venceu o prêmio Renaudot aos 23 anos. Dele li, inadvertidamente, Peixe Dourado. Uma literatura bela e sóbria.

Acho o Nobel uma premiação virtuosa, que zela pela literatura de alto nível, e se espalha por todos os canais de comunicação e atinge o lido e o não lido. Um toque de trombeta promulgando em grande estilo a sobrevivência de uma coisa chamda literatura, que boa parte não sabe muito bem o que é e o que não é.

Seria melhor, se Jorge Amado estivesse lá. No meu ver, o único brasileiro a merecer o Nobel. Naõ que o considere o melhor escritor brasileiro, não o é, mas tinha o perfil, a obra vasta, falando de homens e mulheres num lugar que aos olhos de um gringo reluz como uma terra surreal. Jorge Amado é luz, é cheiro e aquilo que sentimos ao irmos a Bahia e não sabermos dizer direito o que é, mas ficamos meio tontos com tanta energia da terra e do passado. Jorge Amado merecia, e se deram a Saramago, não poderiam desperdiçar a chance de premiar Amado e o país da bobeira, da cerveja, do suor sexual e o suor corrupto, com um Nobel. Talvez a Academia Sueca tenha medo de ver samba e caipirinha na cerimônia solene. Agora, se Jorge não ganhou, quem ganhará? O Marcelo Mirisola?... rsrsrs

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Bom Dia Boa Tarde Boa Noite

Meus poucos e queridos leitores, o hiato, o silêncio, o ostracismo desse modesto blog acabou. O escritor que não publicou em papel, denominado hoje com a tristeza de uma palavra aborrecida, blogueiro, voltou. Perguntando-se se é esse o futuro, a descaracterização cabal de um ofício? O que será da literatura? Quem sente as rupturas, as tendências da sociedade prosaica sente-se acuado, sem dúvida. O tempo das grandes divergências e apagamento de valores que deveriam ser intrínsecos nos atingiu em cheio e não dá pra se fingir cego. Mas os escritores são verdadeiramente o humano, neles estão a esperança de um espiríto asilado nessa carne inchada. Eles resistem, persistem; caem dentro do salto e se beneficiam das quedas, na adversidade ganham estatura, no silêncio sentem Deus e o guardam com palavras em seu trabalho e em sua vida. E por isso que volto, revolto, solto continuo de pé caindo aos poucos para longe onde o encanto sente-se à vontade.