
É estranho quando uma figura como Michael morre. Sua contagiosidade passa por muitos como nula, mas a fama de sua figura é como um vírus resistente que não afeta o organismo de todos mas sim a memória. Eu não me lembro de ter me empolgado com Michael, mas sua existência não me passou desapercebida e sua figura parece mais clara e próxima que a de minhas boas primas de Minas Gerais, e olhe que as toquei e as beijei talvez... Por isso é estranho, não há sentimentalismo e sim estranheza. Algo oblíquo e com um final amargo de desesperança.Talvez Jesus fora uma espécie de Michael, sua fama repercutiu por seus feitos, naturalmente, mas muito mais pelo poder de comunicação e depois a bela imagem sofrível empregada pela Grande Firma Católica. A imagem unida ao som faz o mito. Jesus teinha as parábolas e Michael os hits e imagem nem precisamos falar. Era um personagem real que superou muitos seres irreais. De longe superou Branca de Neve dos irmãos Grimm, mesmo Frankestein de Mary Sheley fica pra trás de longe. Se procurarmos um ser semelhante a Michael encontramos Michael certamente. Mas talvez haja um exemplo próximo o fantástico Edward Mãos-de-Tesoura de Tim Burton. Não só pela superficialidade, mas pelo aspecto frágil e ao mesmo tempo ousado, pela bizarra aparência e o comportamento infantil.
Para os que confundem Michael a verdade é que ele foi um verdadeiro mito, cheio de excentricidades oriundas de seu interior confuso, cheio de talento evasivo, desses que se espalham pelo mundo como a peste negra. Esse homem estranho sofreu a metamorfos e encontrou talvez imbecibilidade e solidão. O rei do pop. O menino negro que perdeu a raça, perdeu o sexo, como numa vontade de se tornar anjo morreu, normalmente, como todos morrem desde o início de nossos tempos. O sol continuará a brilhar e muitas pessoas vão lucrar alto e agradecer ao último mito musical por ter morrido no momento exato para que o show business de sua imagem e som prospere. O mito tem que saber morrer também, é isso o mais incrível neles.