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sexta-feira, 12 de junho de 2009

ENLATADOS



Sabe quando se pensa em leopardos das neves enlatado com a multidão egoísta e proletária de trens do metrô. Talvez você não saiba, mas a manhã paulistana é uma das manhãs mais medíocres do mundo.Gente aos borbotões. Olhamos aqueles braços humanos, aquelas cabeças com cérebros de atum...Putz! Da vontade de ser o leopardo das neves no silêncio assovioso da montanha gelada. Ô se dá! De certo modo sou como ele, frio, no alto de minha pessoalidadeUm escritor não escapa de si, nem confundido em meio a multidão espremida, sufocada e ruim. O escritor não foge de si, mesmo que interprete com toda a habilidade. Às vezes me sinto um Peter Parker, um cara escondendo uma máscara no bolso, mas é o contrário.Nossas estações de metrô são realmente muito limpas, mas tudo está mal e sujo, tudo parece errado naqueles cérebros de atum. Não dá pra engolir e a gente engole mesmo assim, só pra rir de tudo que vê e vive, por quê? Vive de verdade um leopardo das neves.