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Não sei. Olho essa face jovem, esses olhos repletos de noites guardadas, secretas. Fumaça de diversos odores, vozes em sua maior parte felizes, de todos os cantos. Estamos sentados esperando que algo de novo aconteça e nada falamos. É mais um dia, já perdemos o encanto inaugural de Deus diante desse fenômeno, mas ela sabe que em mim há ainda encantamento. Sei porque me olha desse jeito. O dia em que me falou a boca de um escritor só criará suspiros bons entre minhas pernas, isso foi bom, me fez sorrir me fez fumar cigarros e querer engolir o mundo todo por amá-lo.Estamos ali, na velha estação da Luz, é um bom lugar. Uma estação onde podemos deixar a imaginação ir. Vamos pegar o trem, um vagão rico e estofado para nós. Vamos nós amar nele, criar manchas irreparáveis. Vamos trazer ao mundo um novo ser acima do amor de Cristo, um amor insuportável que faça com que a humanidade se esqueça de sua civilidade e torne-se natural. Vamos! Mas os olhos dela continuaram quietos, num silêncio de catedral. Eu não falo, eu escrevo, eu rio até, mas não falo. O trem que chega não parece sustentar os meus desejos. Estou alto nos desvãos do sonho e dos delírios. Ela me olha com um sorriso esgotado. Isso me faz agir abrindo os braços e apertando ela depois, costelas, pulmões, a pele se estica. Na próxima estação descemos as pessoas olham ou não. Ao entrarmos no corredor estreito que dará ao apartamento dela a pressiono na parede. Diga! Diga! A boca de um escritor só criará suspiros bons entre minhas pernas. Obrigado. Um cão ladra, o ar está macio, há uma paz de aquário vazio em tudo. Quando no ar explode a sensível bolha de gozo acredito em Deus, acredito em mim e amo a vida.