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Edna O`Brien disse mal de Chico, por trás é claro, disse de Milton Hatoum também, assim afirma o deslustrador do Diogo Mainardi. A festejada escritora inglesa resmungou da empáfia de Chico e de seu molejo para levar a platéia inepta a aceitá-lo como um grande nome da nossa literatura. Chico Buarque é evidentemente um nome em nossa literatura, literatura cantada como ele poucos fizeram. Mas o que sugere Edna O`Brien é o que todos nós sabemos: Chico Buarque é um filhotão da indústria editorial com o selo de boa qualidade emplacado por sua história musical. O mais triste disso é o parâmetro indiscutível que compõe o meio editorial, porque se há escritores melhores que Chico não há dúvida, mas o mercado não os aceita. Chico pode por o título de Café com Leite Derramado em Budapeste que vai vender, aliás achei esse título muito melhor que frases inteiras de certos jornalistas por aí. Na verdade eu mereceria o lugar de alguns gougres sem letra e sem samba por aí. Mas vá lá. Chico Buarque é o nosso Chico de músicas que me fazem mais bem que qualquer analgésico. Mas agora, Chico Buarque na literatura, parece ser algo menor, no sentido moral da coisa toda, porque escritores ralam por um nicho, barganham, usam todos os recursos de criatividade e param na esfera do marketing, da logística, triste. Ser Chico deve ser bom, ou Jô Soares ou Britiney Spears porque se lançam muco no mercado vendem. Se Chico lançar um livro apenas com as melhores fotos dos seus olhos azuis vai vender, e é isso a causa do mal estar de Edna O` Brien, mesmo sem saber. Esse pessoal da era dos festivais enjoaram de tanto compor, e se protestos não valem mais pra nada que viva a empáfia e os livros médios e chatos.