gabo

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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eu não sinto interesse nos tantos eus que sou
Apenas importo-me com a solidão plena
Onde um eu insubordinado surge das sombras
Com o sorriso e a cara de quem vem dos mistérios
Do fim para o encontro de todos os começos


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ontem haviam orelhas amputadas nas escadas rolantes
Havia pés gordos e repletos de pus
Cancêr nu e fétido
Sorrisos doidos
O trem correu , vagões com a maciez
do som do vôo de um condor
Era frio, era tarde, de fato, o sol
brilhava como prata desbotada
os freios não funcionariam mais
E assim sorri diante do reflexo
de mim mesmo irreversivelmente sonhador
O mundo está ruindo, Deus está senil
Aleluia!



segunda-feira, 6 de abril de 2009


Sabe quando o sol nos deixa com a sensação de flor tocada?
Espalhamos olhares confortáveis ao redor do mundo
Quando nosso corpo aliviado por ser saudável incita uma pureza que não se vê mas está em nós, no corpo sutil do espírito.
Quando as asas rompem em nossas costas, mesmo que a ignoramos lá está o aviso do vôo. Nem tudo pertence ao chão, nem tudo é o resultado do óbvio e efêmero. Homens voam mais que albatroz. Mas quando se tem de escrever e viver e alimentar uma cadeia de coisas e suportar a ausência de tantas outras. Confesso. O sol se intimida, nuvens gélidas se formam sobre nosas cabeças impulsivas e nos apertamos o braço e precisamos de alguém, para que conforte nossas asas, para que nos diga hoje deve ficar aqui, o céu se abre amanhã. Fique tranquilo.