gabo

Loading...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Acima do Sol

Um dia o sol irá crescer, meu bem. Estará farto de nos aquecer.
A nós e seu mísero sistema com planetas pesados ou leves demais.
E depois de nos calcinar ele mesmo irá diminuir até tornar-se uma esfera densa que a medida de uma colher de sopa terá 5 toneladas.
E ai tudo estará morto. aquilo que conhecemos, como o fim de uma série antiga. Como nos esquecemos o universo também nos esquecera.
E depois desse fim alguém encontrará sinais de nossa existência
Ondas sonoras viajando no vazio dirão a milhões de anos luz de casa
A nossa emoção, o nosso ódio e as nossas fantasias, e alguém irá sorrir para a humanidade que se foi há muito tempo.



terça-feira, 28 de julho de 2009

Tudo está a volta

Somos todos ingênuos
Não somos o centro do universo
Há muito sabemos disso.
Há outros, talvez sem tanto ódio
E tanta mesquinhez.
Entre milhões de estrelas, como o nosso sol
Há milhões de planetas
Demasiada presunção pensar que estamos sós
Não há um Deus e sim uma força criadora
Nesse instante há crianças sentindo prazer
Por algum motivo em lugar longe de nós.
Talvez hajam barbáries como as de nossa espécie
Talvez haja a idade da pedra lascada
Num verdejante planeta a 400 milhões de anos luz daqui.
Então, ao acordar, olhe para o céu e admire o incógnito
E a maravilha de fazer parte da estranha existência universal.



quinta-feira, 23 de julho de 2009

Indistinto




Primeiro foram os sapatos
Como velhos crocodilos de fumo
Depois as calças desbotando
E enfunando-se de vazios e manchas corrosivas.
Depois a camisa aberta e volátil
Se desalinhavando ao redor do mundo
Daí veio a nudez de pelos eriçados
Veio tremores no ventre e o homem
Se abaixou tal qual animal que se reserva
Depois levantou, espreitou ao redor
Não havia roupas em seu corpo
E por isso se afastou do cãozinho
Que se aproximara, como um animal
Qualquer que ignora outro
Sem distinção qualquer.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Afinador de Silêncios


Antes de Nascer o Mundo, o título dado pela Companhia das Letras me agrada, embora todas as outras nações de língua portuguesa concordaram com Jerusalém. Prefiro o título brasileiro para o livro do moçambicano Mia Couto. O livro fala da distância de um mundo antes do tudo ser, do ermo que habita a condição humana e também de seu calor verdadeiro. Começa assim : "A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e me surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas. Eu vivia num ermo habitado apenas por cinco homens. " Isso me lembra Gabriel Garcia em Cem Anos de Solidão, mas Mia Couto respira naturalmente a linguagem de Guimarães. Lá do outro lado do Atlântico num continente onde a literatura emerge da terra, tanto mais para um autor sensível como Mia Couto. A poesia, a graça, o jogo implacável de setenças visuais dá a Mia Couto a posição de contador encantado de histórias, a história com o tempero raro hoje, o da narrativa, viva, visual. Seu regionalismo é universal, como aprendeu com Guimarães Rosa, isso com certeza não é uma comparação. Gumarães é o mestre absoluto, tanto que Mia Couto usa apenas pinceladas Rosaneanas, não exagera no tempero pronto e sim prepara tudo com simplicidade e com muita habilidade. Mia Couto agrada, traz prazer e conta uma história onde se pode encontrar a humanidade verdadeira e desacreditada por muitos de nós.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Vai Passar Chico Buarque?





Edna O`Brien disse mal de Chico, por trás é claro, disse de Milton Hatoum também, assim afirma o deslustrador do Diogo Mainardi. A festejada escritora inglesa resmungou da empáfia de Chico e de seu molejo para levar a platéia inepta a aceitá-lo como um grande nome da nossa literatura. Chico Buarque é evidentemente um nome em nossa literatura, literatura cantada como ele poucos fizeram. Mas o que sugere Edna O`Brien é o que todos nós sabemos: Chico Buarque é um filhotão da indústria editorial com o selo de boa qualidade emplacado por sua história musical. O mais triste disso é o parâmetro indiscutível que compõe o meio editorial, porque se há escritores melhores que Chico não há dúvida, mas o mercado não os aceita. Chico pode por o título de Café com Leite Derramado em Budapeste que vai vender, aliás achei esse título muito melhor que frases inteiras de certos jornalistas por aí. Na verdade eu mereceria o lugar de alguns gougres sem letra e sem samba por aí. Mas vá lá. Chico Buarque é o nosso Chico de músicas que me fazem mais bem que qualquer analgésico. Mas agora, Chico Buarque na literatura, parece ser algo menor, no sentido moral da coisa toda, porque escritores ralam por um nicho, barganham, usam todos os recursos de criatividade e param na esfera do marketing, da logística, triste. Ser Chico deve ser bom, ou Jô Soares ou Britiney Spears porque se lançam muco no mercado vendem. Se Chico lançar um livro apenas com as melhores fotos dos seus olhos azuis vai vender, e é isso a causa do mal estar de Edna O` Brien, mesmo sem saber. Esse pessoal da era dos festivais enjoaram de tanto compor, e se protestos não valem mais pra nada que viva a empáfia e os livros médios e chatos.

sábado, 11 de julho de 2009

Tobias Lolness-A vida na Árvore


Timothé de Fombelle tem logo de cara uma estréia fantástica na fantasia. O Di Zeit disse: "“Uma resposta encantadoramente francesa ao fenômeno Harry Potter.” E sim, é um encanto de literatura infanto-juvenil. “Você nunca mais olhará para uma árvore da mesma forma depois de ler Tobias Lolness. Um sucesso extraordinário.” Le Figaro. As surpresas de Tobias Lolness transformam a árvore em universo encantador e cheio de possibilidades. A árvore é o universo assim como nós e tudo. Não há medidas exatas.

Nesse livro de estréia o francês Thimothé de Fombelle, nascido em 1973, Tobias Lolness – A vida na Árvore, consagrou-se como um dos maiores sucessos da literatura juvenil francesa nos últimos anos. Um grande escritor. Ganhador de sete prêmios literários em seu país de origem, entre eles o Tam-Tam, o Sorcières, o Saint Exupéry e o Grand Prix de l’Imaginaire, e outras 10 distinções em todo o mundo, entre elas o prêmio Andersen, o mais instigante da literatura infanto-juveni,l na Itália o livro foi apontado como o melhor romance infanto-juvenil francês na lista de honra da IBBY (International Board on Books for Young People) em 2008. Com direitos de tradução vendidos para vinte países, Tobias Lolness – A vida na Árvore chega ao Brasil pela Editora Rocco. A editora Rocco tem mostrado muito empenho e versatilidade em trazer títulos como esses, onde na verdade tudo está além de uma simples árvore, porque nenhuma árvore é simples como veremos nessa história fascinante.
Tobias Lolness é o protagonista de13 anos e apenas um milímetro e meio que vive na Árvore uma aventura brilhante e divertida sobre sobrevivência, resistência, coragem e amor. O herói microscópico em tamanho, demonstra que grandes qualidades e inteligência estão além do corpo. Através da história deste menino por um complexo mundo em miniatura, o autor reflete sobre questões ecológicas, políticas e sociais e deixa uma importante mensagem de ética e tolerância, em meio a uma grande aventura. Tobias será obrigado a enfrentar todo tipo de perigo e ameaças, mas também conhecerá a felicidade e aprenderá muito mais sobre ele próprio, o outro e o mundo em que vive em sua inspiradora trajetória. A árvore cresce como um universo de possibilidades e Tobias representa a busca e a coragem do espírito da boa vontade.

Tobias Lolness é um romance incrível, que se alinha entre as raras obras capazes de cativar tanto o público infantil quanto o adulto, como O senhor dos anéis, As crônicas de Nárnia, As aventuras de Gulliver ou a série dedicada a magia de Harry Potter.
A Árvore em que o microscópico herói de um milímetro e meio de altura vive é uma metáfora evidente do planeta Terra. Evidente, porém, elegante e sutil. A aventura contagiante segue com uma narrativa agradável, repleta de criatividade e efeitos visuais, esses que o cérebro infantil ou adulto produzirá com prazer.

Lobo Bom


"É o livro que tem que ser inteligente e não o autor."


Se Lobo Antunes decidisse viver no Brasil haveria dois oceanos entre ele e Saramago. O Atlântico e o Literário. Li Saramago e Lobo, e Lobo venceu, digamos por pontos abundantes. Já o que gosto de Saramago é o seu desprezo, a sua indiferença e descrença e mais o Evangelho Segundo Jesus Cristo, no mais são idéias mirabolantes com uma carga de narrativa pedante. Lobo, no entanto, tem ginga, poesia, e é solidário ao leitor, o deixando navegar pelo Oceano de suas palavras. E sobretudo é uma simpatia, um boa praça ao estilo de Vinicius de Moraes e encantado pelo nosso país. Gosto, enfim, de Lobo porque ele sabe voar e de Saramago porque não sabe e não liga, e não ligou mesmo antes do Nobel. Gosto dos dois mas o lobo uiva e encanta.