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terça-feira, 22 de março de 2011

Ran do Grande Kurosawa (clique na imagem para dowload do filme)

Akira Kurosawa apesenta sua obra-prima em 1985, Ran. Um espetáculo visual com a força shakespeariana em seu cerne dramático. Akira teve em mãos um inédito e pomposo orçamento de 12 milhões de dólares, o que caracterizava a produção mais cara do Japão. Mas o filme faz valer cada centavo. Um drama da cobiça, dos valores familiares, do inimigo na própria mesa com o mesmo sangue, também uma crônica severa sobre a velhice.

Ichimonji Hidetora (Tatsuya Nakadai, ator extraordinário) decide passar o poder a algum dos filhos, acreditando assim preservar seu clã e poderes, pois ele já é um velho Sengoku - senhor da guerra, mas ele não imagina que gerou o inimigo. Ran é um épico que nos emite um fazer cinema verdadeiro. É possível sentir o cheiro do Japão do século XVI. Kurosawa conhece como pintar as fotografias e encher os olhos e quando as cores podem cansar o espectador, temos o som das infantarias e cavalarias, que espetáculo! Temos ainda o som imperioso dos que falam, dos rígidos diálogos. As atuações presenteadas com figurinos magníficos que renderam o Oscar de melhor figurino, criação de Emi Wada. Em Kurosawa temos tomadas longas imersas em silêncios arrebatadores, temos atuações teatrais shakespearianas. Temos batalhas tão reais e sem cortes abruptos para confundir o espectador. Chegamos ao ponto de perguntarmos boquiabertos como é que Kurosawa fez isso sem recursos digitais. E na verdade queria ver talentos como os dele unidos aos recursos digitais. Ver épicos sem a estrutura comercial, para que agrade os idiotas e desgostem os cinéfilos ou aqueles que simplesmente sabem apreciar, o silêncio, a cor, a tragédia etc.






Um brinde a guerra de Kurosawa!