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O que menos importa nesse filme é o tango. Desprevenidos imaginam ver um drama sonoro e performático, repleto de não me toques, digo isso por comentários que chegaram as minhas orelhas. Mas essa deliciosa obra de Bernardo Bertolucci não quer debruçar-se sobre a fantasiosa elegância dos amantes parisienses, pelo contrário, quer despir os verdadeiros amantes à sua paixão primitiva. O filme é declaradamente uma provocação, mas uma provocação natural. O reino do caos emocional é tão bem regido que não existem subterfúgios para fôlegos mais recalcados. E mesmo para esses, o filme é inesquecível.
Um filme que serve até mesmo para ignorantes onanistas, bastando as tetas da maravilhosa Maria Schneider . Marlon Brandon é tão autêntico que chegamos a não ver mais o astro e sim o homem despojado, que flerta com o abismo, o homem escorado a ruínas. Que embora seja americano é tudo que podemos imaginar de um verdadeiro amante parisiense.
Sobram cenas extraordinárias em Último Tango em Paris. A câmera está encaixada na mente de Bertolucci. Um filme que nos revela por fim uma extrema solidão e a brutalidade da mesquinhez humana. Como nossas paixões se transtornam. Exemplo como o da personagem de Maria Schneider quando diz a si mesma, repetindo diversas vezes o álibi que entregará a polícia, depois de matar o amante que morre na sacada. A juventude é cruel. E o tango corta!
