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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

FAROL SEM LUZ


Não tenho dúvida que João Ubaldo estava muito desprovido de estima pelo conjunto de sua obra quando lançou Diário do Farol, que descreve a obstinação do narrador psicopata em aperfeiçoar cada vez mais sua crueladade e revelar as fraquezas humanas. O livro é razoável no começo, mesmo com João escolhendo relatar um despropósito de que o narrador não sabe escrever muito bem. Mas é um livro bem escrito em 60% do volume. Há alguns personagens caricaturais que servem para exprimir o quanto são tolos e hipócritas os homens, principalmente os celibatários. João Ubaldo criou um personagem gratuito e tolo que tem como objetivo ser revelador, mas ele é fraco e pedante. E o que dizer das últimas 50 páginas do livro.... Um desastre óbvio. Tenho certeza, por conhecer o mercado, que o livro não seria aceito por nenhuma editora se fosse conferida a autoria a um autor iniciante. Posso dizer sem presunção que meu livro de estreia é um trabalho muito mais agradável e consistente que essa obra Diário do Farol, que se não é um desperdídico total, é um trabalho que certamente poderia ficar de fora do conjunto da obra de um autor que escreveu Sargento Getúlio.