Biutiful é um drama ao meio-fio. É a narrativa da dor intermitente que impele o espectador à crueza sufocante da realidade. Ou a realidade narrada. Não há espaços para a esperança no mundo de Inárritu. Tudo é o caos. E não está ele certo?Embora haja a nostalgia do encontro pós-morte do protagonista com seu pai, morto ainda muito jovem. Mas veja que a cena terna, com um tom, drama bloockbuster só acontece após a morte. Na vida tudo é duro, cru, mesquinho e sem saída. O protagonista se encontra em estado terminal, a mulher é bipolar e tudo piora mais e mais, como uma atração da desgraça natural.A fotografia é bela, crua e obviamente triste. As alegrias no filme incomodam mais que as tristezas, pois elas são alegrias fugidias, falsas, que passam céleres em personalidades massacradas pela vida dura e egoísta.
O longa de Alejandro Gonzalez Inárritu não supera, em minha opinião, Amores Brutos e Babel. Amores Brutos com sua narrativa não linear e dividida em diversas narrativas focadas em dramas dos personagens que se encontram de maneira inusitada e extraordinária, para montar perfeitamente o mosaico da história, que não é uma e sim múltiplas. Babel é um filme espetacular também.
Biutiful, por sua vez, será melhor para aqueles que não gostam de manejos narrativos não lineares, e sobretudo a atuação de Javier Bardem já valeria por si só a pena.
