Li há pouco um artigo de Orhan Pamuk, o Nobel turco de literatura, publicado na revista Píaui o texto revela o comportamento do leitor diante o exercício de leitura de um romance. Pamuk cita ainda um ensaio de Schiller, onde ele distingue dois tipos de criadores: o Inocente e o Sentimental. Indicando que a mente de cada um estrutura a narrativa ao seu modo, a obra literária, de dois modos diferentes. E isso se dá tanto para o escritor como para o leitor que depois a descobre. O exemplo de Goethe, Cervantes, Shakeaspeare como escritores inocentes está no sentido de que suas elaborações são feitas sem um cálculo intelectual, sem uma abordagem da forma e dos manejos apropriados para a composição de um texto que afete as pessoas com poder e possa ser considerado um bom texto. Diferente de autores, como ele próprio Schiller, que se inclui entre os autores reflexivos sentimentais. Lendo o artigo me vi chegando a um ponto em que o reflexivo se amiga do inocente, mas acredito que quando escrevo prevaleça o ingênuo, que constrói com espontaneidade e cria efeitos que não percebe no sentido do trabalho e da habilidade cerebral de manipular a elaboração.
Abaixo segue um trecho muito oportuno do artigo, intitulado Ler um Romance
“... Transformamos palavras em imagens mentais. O romance conta uma história, mas não é só uma história. A história emerge, pouco a pouco, de muitos objetos, descrições, ruídos, conversações, fantasias, lembranças, informações, pensamentos, eventos, cenas, momentos. Ter prazer com um romance é desfrutar o ato de partir de palavras e transformar essas coisas em imagens mentais. Ao visualizar na imaginação o que as palavras nos dizem(o que elas querem nos dizer), nós, leitores, completamos a história. Com isso, impelimos nossa imaginação, procurando descobrir o que o livro diz ou o que o narrador quer dizer, o que supomos que ele está dizendo – em outras palavras, tentando encontrar o centro do romance.”